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O fenômeno Leo Kret é uma fraude

terça-feira, 14 de outubro de 2008

Por Cadu Oliveira

* Leia também o artigo de Cadu Oliveira, "Eu não Votei em Leo Kret", postado originalmente no blog Gelebetê.

Respeito a opinião de alguns analistas que consideram a eleição de Leo Kret um ponto a se comemorar, afinal pela primeira vez vemos a ascensão de um transgênero à Câmara de Vereadores de Salvador. Respeito, ainda e principalmente, os eleitores da vereadora, mas não posso – nem devo – considerar saudáveis ao espírito republicano os motivos principais pelos quais – suspeito – ela foi eleita. Afirmo que apenas suspeito, pois não há dados científicos e irrefutáveis sobre as razões expressas pelas quais os eleitores decidiram votar em Leo Kret e, posto que o voto é secreto e não é nominal, qualquer sondagem exata nesse sentido seria impossível.

Conversando com diversas pessoas, pude perceber que tanto os eleitores quanto os não-eleitores de Leo Kret votaram ou deixaram de votar nela justamente porque acharam “bizarra” a iniciativa de uma personalidade do cenário artístico soteropolitano com orientação sexual divergente do padrão heteronormativo de concorrer a uma vaga na Câmara. Claro que aí estão embutidos preconceitos. Boa parte dos não-eleitores deve ter considerado o fato de ela ser um transgênero como fator impeditivo para a sua eleição. A sua transgeneridade não é, em si, mérito ou demérito, condição favorável ou impeditiva à ocupação de um cargo político.

Para alguns, Leo foi, como dizem os adolescentes de hoje, “sem noção”. Para outros, corajosa. Para mim, as duas coisas. Se houve alguma discussão pública sobre a candidatura de Leo Kret, deu-se, a meu ver, basicamente nesse sentido, afinal, tão iguais à maioria dos eleitores dos outros candidatos que foram eleitos, quantos examinaram a fundo a trajetória política e as propostas de Leo Kret?

Perguntaram-me por que decidi falar sobre a dançarina-vereadora e não sobre as demais figuras eleitas recentemente. Percebi nas indagações um tom de maledicência, como se quisessem me pegar num ato falho de homofobia. Primeiro, escrevi um artigo para um blog que se destina a informações sobre o universo temático GLBT. Segundo, porque quis. Terceiro, porque não há patrulhamento ideológico que me tire o direito de fazê-lo.

É óbvio que continuamos a eleger nossos representantes pelos mais variados motivos: troca de favores, venda de votos, interesses particulares ou corporativistas, simpatia, protesto, suscetibilidade a pesquisas eleitorais e boca-de-urna, dentre tantas outras razões pelas quais escolhemos quem escolhemos. Acontece que, infelizmente, o ícone da excentricidade dessas eleições foi justamente Leo Kret, que recebeu, a meu ver, o “tipo” de voto mais esculhambado de todos, aquele do qual nenhum tipo de proveito – pessoal ou político – se pretende tirar. Por que tantas outras figuras excêntricas não foram eleitas em Salvador e por que outros transgêneros não obtiveram o êxito de Leo Kret? Por uma série de fatores, acredito, que nem por isso tornam Leo Kret a melhor das opções e nosso eleitorado mais ou menos alienado da política.

Quero acreditar – sem também poder mensurar exatamente – que alguma parte dos votos de Leo Kret se deu com algum propósito político – no sentido clássico, como bem frisou Leandro Colling. Destes eleitores, podemos esperar algum tipo de cobrança e acompanhamento do mandato de Leo Kret. Dos demais, daqueles que votaram em Leo pelo fetiche de imaginá-la adentrando a Câmara de Vereadores, o que podemos esperar? É uma pergunta...

Não quero satanizar a vereadora, nem desejo que as minhas desconfianças sejam confirmadas. Mas não aceito a censura por parte daqueles que acreditam que GLBT devam estar imunes a críticas. Ao contrário. Se queremos que a população GLBT ocupe os espaços que lhe são de direito na esfera política, devemos também cobrar que esses espaços sejam adequadamente ocupados por critério de competência e não apenas de identidade. Em bom português, tomara – mesmo! – que Leo Kret faça um bom trabalho, para que os preconceitos que ainda vigoram contra transgêneros não transformem a euforia da sua eleição em rejeição generalizada.

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