<body><script type="text/javascript"> function setAttributeOnload(object, attribute, val) { if(window.addEventListener) { window.addEventListener('load', function(){ object[attribute] = val; }, false); } else { window.attachEvent('onload', function(){ object[attribute] = val; }); } } </script> <div id="navbar-iframe-container"></div> <script type="text/javascript" src="https://apis.google.com/js/plusone.js"></script> <script type="text/javascript"> gapi.load("gapi.iframes:gapi.iframes.style.bubble", function() { if (gapi.iframes && gapi.iframes.getContext) { gapi.iframes.getContext().openChild({ url: 'https://www.blogger.com/navbar.g?targetBlogID\x3d3130456206145852982\x26blogName\x3dRevista+Fraude\x26publishMode\x3dPUBLISH_MODE_BLOGSPOT\x26navbarType\x3dBLUE\x26layoutType\x3dCLASSIC\x26searchRoot\x3dhttp://revistafraude.blogspot.com/search\x26blogLocale\x3dpt_BR\x26v\x3d2\x26homepageUrl\x3dhttp://revistafraude.blogspot.com/\x26vt\x3d4683893385502453966', where: document.getElementById("navbar-iframe-container"), id: "navbar-iframe" }); } }); </script>

Nada será como antes

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Harold and Maude, roteiro do diretor inglês Colin Higgins, ganhou uma versão cinematográfica ao ano de 1971. Harold é um jovem careta de 19 anos com aparência mórbida e comportamento suicida. Maude é uma doce senhora de 80 anos que vaga pelas ruas da cidade, guardando consigo a história fantástica de seu passado. Das viagens pelo mundo a fora, Maude pesca pequenos contos dos quais nunca se sabe da verdade ou do delírio. À época em que, por exemplo, morava na Áustria e ainda era casada com um conde desse mesmo país, lembra-se de quando o marido havia chegado em casa com presentes para lhe aliviar o tédio. Um alfinete em cuja cabeça estavam escritas as palavras mais sábias do mundo: “Isso passa. Isso também passará”. Palavras tão miúdas que só poderiam ser lidas com o auxílio de uma lupa. Foi assim que Maude aprendeu a jamais ceder suas pernas a trilhos de tristeza. E foi assim, também, que o pálido Harold apaixonou-se por ela.

Em 2001, o texto de Higgins foi montado em Salvador com o título Ensina-me a Viver para comemorar os 45 anos de carreira de Nilda Spencer, atriz baiana de teatro. Nessa mesma montagem do espetáculo, a cena em que Haroldo permite-se ser desarmado pelo encanto terno de Maude é acompanhada por um bandolim. O próprio rapaz gagueja com os dedos sobre o braço do instrumento e, para cada nota aguda que alcança, uma estrela pipoca de sua boca, desenhando o sorriso nunca visto. Haroldo descobre-se apaixonado pela senhora quase centenária ao som de Vapor Barato, canção de Jards Macalé e Wally Salomão. A força desse momento no palco, intensificada pela música, além de coroar a virada do enredo, representa a fuga esperançosa para longe do peso das convenções e a busca de um paraíso melodioso, colorido e possível.

Vapor Barato tornou-se hino da chamada Geração do Desbunde. A composição ocupa um momento importante do primeiro álbum duplo de Gal Costa, chamado Gal a Todo Vapor, lançado também em 1971. Eram duas faces de uma mesma cantora sobre palco. Coração Vagabundo e Falsa Baiana foram acompanhadas apenas por um violão empunhado por Gal. Interpretação contida e intimista, como quem obedece aos princípios da sedução bossanovista e divide esforço entre o instrumento e a execução vocal. Vapor Barato, no entanto, pontua a virada do show logo após seu primeiro estribilho. A harmonia é invadida por guitarras, pedais, baixo e bateria. Gal, sem o violão no colo, mas acompanhada pela banda, pôde apenas cantar. A segunda face gritava, visceral e inquietante. A boca vermelha e os cabelos fartos, fotografados para a capa do disco, tornaram-se suas marcas registradas a partir de então. Sua atitude tropicalista, em plena mise-en-scène, rouba-lhe o violão joãogilbertiano e a consagra como musa marginal do movimento.

  1. Blogger Paula Janay Alves said:

    Este comentário foi removido pelo autor.

leave a comment